Das mãos de Coruripe para o mundo: Leide Santana transforma tradição em arte e resistência
Artesã de Coruripe transforma a palha do ouricuri em peças que carregam memória, cultura e um legado familiar de mais de 50 anos.

Texto: Assessoria
No dia 19 de março, quando se celebra o Dia do Artesão, histórias como a de Leide Santana ajudam a dar sentido à data. Aos 60 anos, ela carrega nas mãos muito mais do que técnica: carrega memória, cultura e uma herança que atravessa gerações.
Em Coruripe, Leide é conhecida pelo talento, mas, sobretudo, pela história que construiu com o artesanato. O primeiro contato veio ainda na infância, dentro de casa, observando a avó trabalhar. Foi ali que tudo começou.
“Comecei vendo minha vó fazer”, relembra, com simplicidade.
O aprendizado seguiu naturalmente, passando também pelas mãos da mãe. Mais do que ensinar o ofício, elas transmitiram algo que não se aprende em manual: o cuidado, a paciência e o amor pelo fazer manual.
Hoje, Leide transforma a palha do ouricuri, matéria-prima típica da região, em peças que carregam identidade. Mandalas, bolsas, suplás, porta-joias e tantos outros itens nascem de um trançado delicado e de um acabamento que revela dedicação em cada detalhe.
O tempo de produção varia. Algumas peças ficam prontas em um ou dois dias; outras exigem mais tempo. Mas, para ela, a pressa nunca foi prioridade. O que realmente importa é o significado de cada criação.
Coruripe, segundo Leide, tem papel importante nessa trajetória. É no município que ela encontra espaço para divulgar o trabalho e manter viva uma tradição que resiste ao tempo.
“O artesanato já carrega a cultura em si, com sua belíssima história”, destaca.
Nem tudo, porém, é simples. Ela fala com franqueza sobre os desafios da profissão.
“Não é fácil”, resume.
Ainda assim, desistir nunca foi uma opção. Leide segue criando, inovando com o que tem e encontrando no próprio processo a maior recompensa.
Para ela, o artesanato vai além de sustento. É legado, identidade, sustentabilidade e afeto. Embora tenha boa aceitação no mercado, ela reforça a importância de uma valorização maior dos artesãos e do trabalho manual.
Entre os momentos mais marcantes da sua trajetória está a oportunidade de ultrapassar fronteiras. Ao participar da Feira BTL, em Portugal, levou consigo não apenas suas peças, mas um pedaço da cultura de Coruripe.
“Foi uma honra”, diz.
E os planos continuam. Leide quer mais: novos eventos, novas viagens e a chance de apresentar sua arte a outros públicos, dentro e fora do Brasil.
Neste Dia do Artesão, a história de Leide Santana lembra que cada peça carrega muito mais do que forma e função. Carrega uma vida inteira dedicada à arte, à resistência e à preservação cultural. Um patrimônio vivo que merece ser reconhecido, valorizado e celebrado.
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